Roda Fixa

Basicamente, as bicicletas de roda fixa são bicicletas de pista, ou seja, utilizadas em competições de velódromo. Tais bicicletas não possuem freios nem marchas e o pinhão é “fixo” no cubo traseiro.

Claro que a história começa bem antes.

Antes de mais nada, por que “roda fixa”, ou, em inglês, ”fixed gear” ? O nome se refere à ausência de um sistema de roda-livre, ou catraca, na roda traseira. O pinhão é rosqueado diretamente ao cubo, o que significa que, sempre que a roda gira, os pedais giram junto. E vice-versa. Isso implica que o ciclista jamais pode parar de pedalar. Também significa que, apenas com a força das pernas, é possível fazer a bicicleta reduzir e até parar, e inclusive pedalar “de marcha ré”, se assim o desejar.

De certa forma, as primeiras bicicletas surgiram como rodas-fixas. Primeiro nas famosas rodonas, que tinham o pedal diretamente preso à roda da frente:

big-wheel

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Mesmo depois, com o surgimento do sistema de transmissão por corrente, as bicicletas de uso urbano e de competição continuavam sendo fixas, simplesmente porque não existia outra tecnologia.

Mais tarde, surgiram as catracas, que possibilitaram a existência de uma roda-livre, ou seja, que gira independente dos pedais (andar na banguela). Hoje, praticamente todas as bicicletas possuem roda-livre, e muitas pessoas nem imaginam que existem bicicletas que “não andam na banguela” – o sistema de roda-fixa praticamente ficou relegado ao mundo dos velódromos.

Isso até os anos 70. Com o declíno do ciclismo de pista, muitos atletas abandonaram o esporte e encostaram suas pisteiras no porão, nos fundos de casa, na garagem… ao mesmo tempo, as congestionadas cidades tornavam cada vez mais popular o sistema de entregas por bicicleta, os destemidos bike messengers.

Sem muito dinheiro para gastar com uma bicicleta nova e manutenção, eles viram nas bicicletas de pista uma excelente opção. Funcionamento simples, praticamente livre de manutenção, são bicicletas leves, rápidas e ágeis. E só um mensageiro seria louco de levar uma bicicleta dessas para a rua (As bicicletas de pista obviamente não possuem marchas, nem freios, que são proibidos no velódromo).

Os mensageiros, principalmente em cidades como São Francisco e Nova Iorque,  formam uma espécie de comunidade, que se encontra regularmente para fazer competições, têm seu jeito próprio de se vestir, de viver, e a bicicleta de pista certamente é um elemento preponderante nessa cena.

Nos anos 80, essa cultura veio à tona e tornou-se popular entre os jovens de classe-média urbana, algo como a moda do skate. Isso foi muito bem retratado no filme Quicksilver, com Kevin Bacon, hoje um clássico (apesar de todos os erros de continuidade e das cenas absurdas).

Agora, quase 30 anos depois, a moda voltou com força total, através, principalmente, dos assim chamados hipsters, e, ultrapassando as barreiras geográficas, tomou o mundo de assalto. Blogs sobre o tema pipocam por todos os lados, e em qualquer grande capital, não é preciso caminhar muito para ver um adolescente, com sua bolsa de courier nas costas, bonezinho de ciclismo dos anos 70, dando uns pulos em sua roda-fixa de cores berrantes…

Texto retirado do Roda Fixa Curitiba